"MENTES CRIATIVAS SÃO CONHECIDAS POR RESISTIREM A TODO TIPO DE MAUS TRATOS."
SIGMUND FREUD

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O CÂNCER E A SEXUALIDADE



GALERA COMO EU HAVIA PROMETIDO AÍ ESTÁ UM TEXTO DE MINHA AUTORIA, APRESENTADO NA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ - RESENDE, COMO REQUISITO DA MATÉRIA DE PSICOONCOLOGIA, CLARO QUE ISSO NÃO SERIA POSSÍVEL SEM A AJUDA DE ALGUMAS PESSOAS, E AQUI QUERO DEIXAR REGISTRADO MEUS AGRADECIMENTOS E VOTOS DE CARINHO E SUCESSO A TODAS ELAS:
À PROFESSORA CÉLIA REGINA, PROFESSORA DEDICADA E ATENCIOSA, QUE MUITO TEM ME ENSINADO COM SUA EXPERIÊNCIA; À GABRIELE ZACARIAS, GRANDE AMIGA E COMPANHEIRA DESTA "LONGA" JORNADA ACADÊMICA E A GIOVANA NASCIMENTO, UMA PROFISSIONAL ALTAMENTE CAPACITADA E DEDICADA, ALÉM DE UMA PESSOA NOTA 10! MEU MUITO OBRIGADO A VOCÊS!

1 INTRODUÇÃO

O câncer é uma doença que representa para muitas pessoas, um momento difícil e traumático, apesar dos avanços da medicina e de modernos tratamentos, este ainda significa para elas, a morte inevitável com muita dor e sofrimento.

Com o progredir da doença, são suscitados novos desafios, a medida que falham sucessivos esquemas terapêuticos, e o aparecimento de novas limitações físicas do doente diminui as expectativas de cura. O diagnóstico de câncer deixa nos enfermos que conseguem sobreviver noção ampliada de sua vulnerabilidade e do risco de mortalidade. (DUDGEON, 1995, p.255)

O trauma do paciente oncológico está atrelado ao tipo de tumor, sua evolução e com o tratamento, esses fatores trazem grande impacto sobre o ajustamento psicossocial do paciente. A quimioterapia e a hormonioterapia, por exemplo, acarretam aumento de peso e a perda de cabelo, causando alterações no corpo e inclusive na auto-estima. Alguns processos cirúrgicos resultam em mutilação e desfiguração, além de modificar o trajeto das excreções ou prejudicarem a função sexual. A radioterapia pode causar queimaduras na pele, dificuldade de deglutição, diarréia, além da conhecida perda de cabelos.
É muito comum, que os pacientes oncológicos sejam acometidos pela depressão e esta pode ser difícil de diagnosticar. Afirma Dudgeon (1995, p.259), que a perda do libido é uma das característica da depressão.
Diversos são os traumas sofridos pelos pacientes de câncer, assim, como diversas são as causas que podem levar ao paciente a perda da sexualidade, porém, mesmo diante de quadros médicos e psicológicos traumáticos, é possível que com o apoio e orientação do psicólogo, o enfermo encontre dentro de si forças para enfrentar esta doença da melhor maneira possível, sem deixar que ela afete de maneira tão aguda os prazeres da vida, dentre eles sua sexualidade.
A doença incide sobre o corpo do paciente, corpo esse que também é campo para sexualidade. Essa simultaneidade de funções, patológica e erógena, não pode passar em branco para o psicólogo. Há que estar atento a esse ponto em termos teóricos, e há que se estar aberto para conversar sobre ele se o paciente tocar no assunto. (SIMONETTI, 2004, p.156).

Portanto, o objetivo deste trabalho é fazer um estudo sobre os aspectos psicológicos que podem levar os pacientes oncológicos à perda ou diminuição da sexualidade, bem como desenvolver propostas de intervenção a fim de preservá-la e/ou desenvolvê-la de maneira saudável neste momento difícil.
2 A INFLUÊNCIA DO TRATAMENTO NA SEXUALIDADE

Com a correria diária se esquece muitas vezes, de que a vida acontece, e ela pode ser tão bela quanto frágil, e o diagnóstico de uma doença como o câncer pode alterar o sentido do existir humano. As prioridades e os valores passam a ser colocados em segundo plano, para se preocupar apenas com o tratamento.
De acordo com Macieira (2009), “o câncer tem limitações e não pode engessar a vida que temos a viver, congelar a alegria, destruir o prazer e roubar os minutos de plenitude que podemos alcançar”.
Porém, quando é diagnosticada a doença tudo na vida perde a importância e ela passa ser a preocupação central na vida dos pacientes e familiares. Assim, acabam surgindo diversos sintomas psicológicos, que enfatiza Simonetti (2004, p.37), como o medo, a revolta, a depressão e a negação.
Como a atenção, dos pacientes, familiares e da equipe de saúde está voltada para a doença e para o desencadear das emoções causadas, dão pouco ou nenhuma importância para a sexualidade do indivíduo, tema que faz parte de um dos aspectos mais importante para a sua qualidade de vida.

Qualidade de vida relacionada à saúde, a percepção do individuo sobre seu estado. Esta percepção normalmente está relacionada a determinadas dimensões de sua vida, que em muitos instrumentos utilizados na tentativa de mensurar qualidade de vida, dizem respeito a fatores psicológicos, físicos, econômicos, sociais e espirituais. (KOWALSKI, 2002, p.285)

Dentre estes aspectos essenciais da vivência humana, a sexualidade, que em sentido mais amplo, representa a identidade pessoal e uma forma de se relacionar com o outro de uma maneira afetiva, envolvendo um ritual de intimidade com o próprio corpo e com o corpo de outro. E muitas vezes com a ameaça da morte, a sexualidade passa ser um item de menor importância.
Os traumas emocionais são inevitáveis, porém é possível que os pacientes encontrem dentro de si, a força para resistir a doença e aos respectivos tratamentos. Mas, torna-se imprescindível para o psicólogo prever a perturbação psicológica que pode ocorrer na fase do diagnóstico e do tratamento. Neste capitulo serão discutidos as influências que os tratamentos como: a quimioterapia, a hormonioterapia e o tratamento cirúrgico trazem para a sexualidade.

2.1 QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia é um passo para o tratamento do câncer, que por ser uma doença celular, torna-se necessário que as células doentes sejam combatidas através do uso de químicas.
Este tratamento é aplicado após uma avaliação médica e pode ser feita antes ou após a cirurgia para a retirada do tumor. Para ser aplicada a quimioterapia, alguns fatores são levados em consideração, tais como: o tipo de tumor, seu estágio de desenvolvimento, a idade e o estado físico do paciente.
Porém, a quimioterapia atinge não somente as células doentes, mas também, as células sadias causando efeitos colaterais, já citados anteriormente, como: queda de cabelos, náuseas e vômitos, estomatite, diarréia, prisão de ventre, todos esses fatores podem interferir nas relações sexuais entre outros efeitos.
Apesar do tratamento não impedir a relação sexual, as alterações emocionais também podem fazer com que o indivíduo perca um pouco do interesse sexual.

A diminuição do desejo sexual pode ser influenciado por fatores orgânicos ou psicológicos. Os orgânicos caracterizam-se, principalmente, pela diminuição do hormônio testosterona, responsável pela apetência sexual, decorrente do tratamento quimioterápico como, também, pela falta de disposição resultante da severa anemia vivenciada por essa clientela e pela presença de náuseas e vômitos. Os fatores psicológicos são marcados pelo constante sofrimento, medo e preocupação decorrentes da doença e do tratamento. (MELO, 2006, p.3)

Os problemas relacionados à perda da excitação sexual masculina são influenciados pela perda do hormônio testosterona e na mulher pela falta de lubrificação vaginal decorrente da queda do nível do hormônio estrôgeneo.

2.2 HORMONIOTERAPIA

Alguns tumores evoluem por causa da presença hormonal, como por exemplo: os de mama, próstata e endométrio. O objetivo da hormonioterapia, é justamente, impedir a ação destes hormônios, bloqueando ou suprimindo os efeitos de hormônio sobre o órgão alvo.
Assim como a quimioterapia, a hormonioterapia age em todas as partes do organismo.
Durante o tratamento hormonal é possível que haja a diminuição da libido divido as medicações.


A diminuição da libido não é geralmente um efeito colateral permanente no tratamento oncológico e pode ser gerenciado. Para muitas pessoas, a libido retorna ao normal após o término do tratamento. Entretanto, algumas pessoas podem necessitar de intervenção médica para aumentar sua libido. Mulheres que tiveram câncer de mama e estão em tratamento hormonal também podem ter uma diminuição da libido. (ONCOGUIA, 2010)

Muitas das causas da ausência da sexualidade na fase do tratamento, está ligado a auto-estima, a perda do cabelo, a perda de peso causados pelo tratamento de combate à doença.

2.2 TRATAMENTO CIRURGICO

Neste tópico serão abordadas especialmente, as cirurgias de câncer de mama e próstata, que são as grandes causas da perda da sexualidade, uma vez que ambas podem mutilam órgãos de extrema importância para a sexualidade tanto masculina quanto feminina.
O câncer de mama é o câncer que se manifesta com grande freqüência entre as mulheres brasileiras, é caracterizado por uma multiplicação exagerada e desordenada da s células.
A cirurgia do tratamento do câncer de mama pode ser conservadora ou radical, conservadora quando retirar apenas uma parte da mama e radical quando retirar a mama inteira.

O câncer de mama traz muitas complicações na auto-estima das mulheres, diminuindo muito o desejo de se expor ao parceiro. A mama é considerada um ponto da feminilidade se o câncer gerou a necessidade de retirada de uma ou de duas mamas, a mulher pode ficar bastante abalada sexualmente. (ONCOGUIA)


Assim, o este tipo de câncer pode interferir de maneira expressiva na vida sexual do casal. Mas é necessário que ambos procurem formas para se adaptarem a nova realidade e tragam de volta sua intimidade e cumplicidade.
Quanto ao câncer de próstata, pode-se dizer, que afeta o homem em seu bem-estar físico e emocional. O tratamento deste tipo de câncer pode acabar afetando a masculinidade e gerando a impotência.
O sofrimento masculino se deve às limitações físicas e a diminuição da ereção, sobretudo, quando há prostectomia radical (retirada dos testículos) responsáveis pela produção dos hormônios masculinos.
Nas palavras de Tofani (2007, p.200), “o tratamento dos homens quase invariavelmente acarretam os conhecidos riscos de incontinência e da impotência que atingem a essência da masculinidade”.
Para isso, é importante lidar com as emoções e o medo, desenvolvendo maior auto-estima e auxiliando a sua qualidade de vida.

3 DISTURBIOS PSICOLÓGICOS DA DOENÇA
A medida que houve um avanço no tratamento do câncer a taxa de mortalidade também diminuiu entre os diagnosticados positivamente, mediante esse fato hoje em dia passa-se a ser muito considerada a qualidade de vida destes pacientes, onde se inclui a atenção ao bem estar psíquico, pois conforme temos exposto no decorrer desse trabalho muitas vezes são influenciados por diversos distúrbios psicológicos, que podem algumas vezes influenciar na sua sexualidade.
Os efeitos psicológicos podem surgir do medo ou tristeza pelo diagnóstico em si. Outra possibilidade é que uma alteração na imagem corporal cause medo de rejeição pelo parceiro. (SANTOS, 2002, P.36).

Os distúrbios mais recorrentes nos pacientes oncológicos são: a depressão e a ansiedade.

3.1 DEPRESSÃO
Nas palavras de Govindan (2002, p.594), “Em geral, a depressão é mais comum, e o diagnóstico mais freqüente é de Depressão Importante e Distúrbios de Ajuste com Humor Deprimido”
A Depressão importante pode ser confundida com sintomas do câncer ou efeitos colaterais do tratamento. Alguns efeitos que podem gerar certa confusão são: perda do apetite, fadiga e problemas de concentração. Alguns profissionais chegam a propor que o diagnóstico da depressão nos pacientes repousa nos sintomas psicológicos da depressão. Alguns pacientes relacionam seus comportamentos pessoais com o desenvolvimento da doença.
A depressão é mais comum em tipos específicos de câncer (pancreáticos, pulmonar), em face do prognóstico sombrio, e na presença de dor. Indivíduos com uma história de distúrbio do humor correm maior risco de desenvolvimento de depressão após um diagnóstico de câncer, assim como aqueles com uma história familiar de depressão. Outros fatores de risco incluem o abuso de álcool e de drogas, a idade mais jovem, o sexo feminino e a pressão socioeconômica. (GOVINDAN, 2002, P.595).

A depressão psíquica pode levar o paciente de câncer a perda do libido, entre outros sintomas decorrentes da doença. Por isso, o aconselhamento psicológico é tão importante e necessário.

3.2 ANSIEDADE
A ansiedade pode ter diversas formas, após o diagnóstico do câncer podem ocorrer a ansiedade generalizada, caracterizada por ansiedade excessivas, muitas vezes os pacientes apresentam irritação e pessimismo.
Algumas fobias específicas também podem ocorrer após o tratamento de quimioterapia. Este problema fica evidente em náuseas antecipatórias, quando ele recebe a quimioterapia e a piora da náusea se desenvolve. E a náusea pode ocorrer antes do tratamento ou sem a presença do tratamento.
A sexualidade também é influenciada pela ansiedade, tanto a ansiedade em relação à doença e ao tratamento, quanto à ansiedade em relação ao próprio ato sexual. Em relação ao ato sexual, a ansiedade se manifesta através da preocupação em satisfazer o parceiro, e não conseguir, em caso de uma tentativa frustrada, pode gerar no individuo pensamentos automáticos que podem se manifestar através da evitação do contato e falta de iniciativa sexual.

4 SEXUALIDADE: APOIO PSICOLÓGICO
A denominação das manifestações psíquicas da vida sexual, combina com a base química da relação sexual. Freud (2002, 94), descreve o libido como “uma força quantitativamente variável que poderia medir os processos e transformações ocorrentes no âmbito da excitação sexual”.

Consideramos a sexualidade uma dimensão da vida que envolve a comunicação com o nosso eu, com os outros e com o universo de significados em que estamos inseridos. Nesta concepção o corpo tem grande importância, pois ele não apenas atesta a nossa existência, como também nos possibilita a comunicação com o mundo e com as pessoas que se encontram nele. (SANTOS, 2002, P.33).

A excitação sexual é fornecida não só pelas partes chamadas partes sexuais, mas sim, por todos os órgãos do corpo, por isso a questão da sexualidade passa pela imagem corporal que o paciente tem de si.

.4. A PERDA DA SEXUALIDADE DO PACIENTE DO CÂNCER
O câncer por representar uma doença que maltrata o corpo, altera o estado emocional do paciente, inclusive, em sua qualidade de vida e na sexualidade. Homens e mulheres acometidos pela doença vêem sua sexualidade fragilizada, ao terem mutilados os órgãos que são a expressiva representação da sexualidade.
O diagnóstico do câncer de mama ou próstata pode afetar significativamente a vida sexual do casal. Para Cantinelli (2006), “reações de ajustamento ou mesmo depressão e ansiedade tem forte impacto sobre a sexualidade”.
Quanto ao câncer de mama, especificamente, relata Gomes (2002), “no universo simbólico, a mama é um elemento fundamental capaz de concentrar papéis da identidade feminina, como a sexualidade, sendo os seios objeto de prazer e desejo”.
Além disto, a retirada parcial ou total da mama, pode levar às mulheres a sensação de solidão, a perda dos vínculos e uma quebra de sentido e inclusive a perda da auto-estima.
Em se tratando do câncer de próstata ou no genital masculino, os fatores culturais podem influenciar negativamente às questões relacionadas à sexualidade.
Assim, como o câncer de mama é um dos maiores medo das mulheres o câncer de próstata não é diferente para os homens, pois trazem consigo, não somente o medo da própria morte, mas também, o medo que tocam no próprio cerne da sua sexualidade.

4.2 APOIO AO PACIENTE PARA PRESERVAÇÃO DE SUA SEXUALIDADE
Para auxiliar a qualidade de vida do paciente é de extrema relevância a avaliação de todos os aspectos psicológicos que envolvem do diagnóstico de câncer, inclusive e, sobretudo, em relação à sexualidade.
É importante destacar que os diagnósticos são necessários para dar uma direção ao tratamento, na medicina o diagnostico se dá por meio dos sintomas, diferente da psicologia, segundo Simonetti (2004, p. 33), “na psicologia hospitalar o diagnostico é o conhecimento da situação existencial e subjetiva da pessoa adoentada em relação a sua doença”. É importante salientar que o psicólogo não pode de maneira alguma se ater somente ao diagnostico inicial, ele deve permanecer atento às mudanças situacionais que podem acarretar uma necessidade de mudança de estratégia, para isso se faz necessária uma constante avaliação do quadro psíquico do paciente.
O primeiro aspecto a se considerar deve ser a história de vida da pessoa adoentada, pois de nada servem os termos técnicos e dados patológicos, muito menos as intervenções médicas ou psicológicas se não for levado em conta à maneira como o paciente a representa.
Em segundo lugar é importante também observar a estrutura psicodinâmica da personalidade do individuo, e assim conhecer a sua relação ao seu processo de adoecimento e do seu tratamento.
E por fim se estabelecer as condições de enfrentamento do individuo mediante a doença e seu prognóstico, ou seja, quais as possibilidades e limites para essa pessoa, e assim propor ações que visem à ampliação dos seus horizontes e deste modo gerar uma melhora na sua qualidade de vida.
Para tal se faz necessário um acompanhamento prévio do paciente, pois quanto antes se iniciar a preparação do paciente para os eventos que podem ocorrer no pós-operatório ou após as sessões de tratamento não cirúrgico (quimio/radio/hormonioterapia), isso aumentara seu tempo de reação, onde terá a oportunidade de se preparar para tais eventos. A comunicação entre o paciente e médico em todas as fases do tratamento é importante, porém ela é essencial na previa do mesmo, até mesmo para que o paciente possa se preparar para os efeitos colaterais do tratamento. Segundo Sebastiani (1995 p. 34), tanto o paciente quanto o devem ter um representante neutro, no caso o psicólogo.
Essa ponte de ligação, ou facilitação de vínculos, tem grande importância, sobretudo para o paciente, pois ela é uma possibilidade de se desenvolver dois sentimentos imprescindíveis para o bom prognostico emocional da relação do individuo com a cirurgia e o processo, muitas das vezes longo, de pós-operatórios e reabilitação, que são confiança e a autorização. (SEBASTIANI, 1995 p.34)

Neste âmbito o psicólogo estabelecera um vínculo importante, pois ele não representa uma “ameaça” ao paciente, é o que Sebastiani chama de privilégio do psicólogo.
A partir daí o psicólogo poderá trabalhar todos os aspectos referentes aos itens acima destacados, como história de vida e estrutura psicodinâmica do paciente, bem como de sua família e juntamente com ele estabelecer as diretrizes por onde seguirá sua recuperação, inclusive a da sua sexualidade. Segundo Santos (2002, p. 23) apput Witten e Lampert (1999), “os profissionais de saúde devem incluir a função sexual como parte da avaliação das necessidades da reabilitação do paciente, ainda que seja desconfortável tanto para eles quanto para os pacientes o encaminhamento de aspectos relacionados à sexualidade”.
É imprescindível o envolvimento familiar no que tange a questão da sexualidade do paciente, principalmente quando se trata de pessoas casadas, o envolvimento do cônjuge na recuperação do paciente é indispensável, para tal ele deve ser informado de todas as nuances e possibilidade de reações que podem ocorrer.
Outro ponto quer deve ser observado pelo profissional de psicologia é o cuidado com a imagem corporal do paciente que como dissemos anteriormente é uma das causas da perda da sexualidade do paciente, é importante trabalhar auto-estima do mesmo:

Nos casos de disfunção orgânica, apesar de existir uma série de tratamentos médicos, não se exclui a necessidade de terapia sexual ou psicoterapia, pois sempre existem os aspectos psicossociais relacionados não apenas à gênese, como também à manutenção da disfunção, como: medo de rejeição e abandono da parceira, conflitos em relação à própria masculinidade, baixa auto-estima etc. (Santos 2002, p. 68)

E por fim, mas não menos importantes são os cuidados com os aspectos depressivos e ansiosos que podem vir a serem apresentados pelos pacientes, que em suma são uma soma ou resultado das questões anteriormente relacionadas:

Além disso, a depressão, muito comum nos casos de câncer, é uma das maiores causas de disfunção sexual, pois afeta a fase do desejo, o apetite sexual. (Santos 2002, p. 68)


5 CONCLUSÃO

Homens e mulheres se posicionam de forma diferente frente à varias etapas do tratamento do câncer, e inclusive, na reabilitação da sua vida após o tratamento. Esta diferença já advêm da própria cultura e do modo pelo quais são socializados, portanto já não desenvolvem os mesmos estímulos e coragem para o enfrentamento da doença.
Porém, a forma do enfrentamento desta doença está relacionada a uma multiplicidade de fatores, como: doença, sintomas, estágio, o tratamento, a auto-estima, a estrutura familiar. Portanto, não há uma única estratégia para o auxilio a reabilitação do paciente e orientação do paciente quanto à conduta da sua sexualidade frente ao diagnóstico e ao tratamento do câncer.
Mas, é que o medo do câncer de mama para a mulher é tão semelhante quanto o medo que o homem tem em relação ao câncer de próstata, por acarretar para a mulher a perda de um símbolo tão valorizado sexualmente quanto a impotência por parte dos homens.
Assim, compreende-se que a alteração corporal para a mulher ou para o homem representa um enorme impacto psicossocial, impedindo-os de aceitar o próprio corpo e negando a se expor frente ao parceiro ou parceira, esta restrição ainda podendo se estender a contatos sociais.
A qualidade de vida, então, fica abalada com o diagnóstico da doença, deixando o individuo fragilizado. Dessa maneira, uma intervenção pode objetivar o manejo do estilo de vida, as condutas sociais, emocionais e sexuais, de modo a se adaptarem a nova realidade de maneira saudável.
È de extrema importância orientar o casal à uma conversa franca e aberta, onde haja uma disponibilidade para a compreensão, a aceitação e a uma nova postura frente ao ato sexual.

6 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CANCER de mama e sexualidade. Disponível em: http://www.oncoguia.com.br Acesso em 09 nov.2010.

CANTINELLI, Fábio Scaramboni.et al. A oncopsiquiatria no câncer de mama: considerações a respeito de questões do feminino. Revista de Psiquiatria Clínica, v.33, n.3, São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.scielo.com.br Acesso em: 10 nov.2010.

GOMES, Romeu; SKABA, Márcia Marília Vargas Fróes; VIEIRA, Roberto José da Silva. Reiventando a vida: proposta para uma abordagem sócio-antropológica do câncer de mama feminino. Cadernos de Saúde Pública, v.18, n.1, Rio de Janeiro, jan./fev.2002. Disponível em: http://www.scielo.com.br Acesso em: 10 nov.2010.

GOVINDAN, Ramaswamy. Washington: manual de oncologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

KOWALSKI, Luiz Paulo, et al. Manual de condutas diagnósticas e terapêuticas em oncologia.2.ed.São Paulo: Âmbito Editores, 2002.

MACIEIRA, Rita de Cássia. Conversando sobre a sexualidade e o câncer. 2009. Disponível em:http://www.inana.com.br Acesso em: 08 nov.2010.

MELO, Alexandre de Souza; CARVALHO, Emilia Campos de; NILZA, Teresa Rotter Pelá. A sexualidade do paciente portador de doenças onco-hematológicas. Revista Latino Americana Enfermagem, março-abril, 2006.

SIMONETTI, Alfredo. Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

TOFANI, Ana C.A; VAZ, Cícero. Câncer de próstata, sentimento de impotência e fracasso ante os cartões IV e VI do Rorschach. Revista Interamericana de Psicologia. v.41, n.2, 2007. p.197-204. Disponível em:http://www.psicorip.org Acesso em: 09 nov.2010.

TRATAMENTO do câncer e a diminuição da libido. Disponível em: http://www.psicorip.org Acesso em: 09 nov.2010.

SANTOS, Rosita Barral Homens com câncer de próstata: um estudo da sexualidade à luz da perspectiva heideggeriana. Ribeirão Preto, 2006. 243 p.: il.; 30 cm

TRUCHARTE, Fernanda Alves Rodrigues Psicologia hospitalar: teoria e pratica/, Fernanda Alves Rodrigues Trucharte, Rosa Berger Knijnik, Ricardo Werner Sebastiani; Valdemar Augusto Angerami-Camon (organizador). 2. Ed. São Paulo: pioneira, 1995

domingo, 10 de outubro de 2010

Estou atrás do que fica atrás do pensamento


“Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais. Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora. Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.”
(Clarice Lispector)

sábado, 18 de setembro de 2010

EXPERIÊNCIA?


No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: Você tem experiência?

A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto foi um sucesso, e com certeza ele será sempre lembrado por sua criatividade.


"Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar. Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro. Já me cortei fazendo a barba apressado. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrela. Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas. Já escrevi no muro da escola. Já chorei sentado no chão do banheiro. Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro. Já tremi de nervoso. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua. Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta à parede e grita: “Qual sua experiência?”. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência… experiência… Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento, tudo se renova…?"

COMO JÁ DIZIA A GESTALT TUDO O QUE TEMOS É O AQUI-AGORA, TODAS NOSSAS EXPERIENCIAS DE NADA VALEM DIANTE DE UMA NOVA SITUAÇÃO.

domingo, 5 de setembro de 2010

Os Cisnes


A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

Júlio Salusse

ESTE POEMA É LINDO, TALVEZ UM DOS MAIS BONITOS QUE JÁ LI, POREM TRATA DE TEMA EVITADO POR MUITOS, O SER HUMANO E SUA FINITUDE, BEM COMO OS SENTIMENTOS E COMPORTAMENTOS RELACIONADOS A ESSE ASSUNTO, E A PSICOLOGIA, COMO A CIÊNCIA QUE SE PROPÕE A ESTUDAR PRINCIPALMENTE OS SENTIMENTOS E COMPORTAMENTOS HUMANOS, NÃO PODERIA SE FURTAR A ESSA DISCUSSÃO. ESTOU LENDO ATUALMENTE UM LIVRO MUITO INTERESSANTE QUE TRATA ESSENCIALMENTE DESSE ASSUNTO: "SOBRE A MOSTE O MORRER", DA DRª ELISABETH KÜBLER-ROSS, E EU SEPAREI O TEXTO QUE SE ENCONTRA NA ORELHA DO LIVRO, PARA DIVIDIR COM TODOS, NA VERDADE EU TINHA ESCRITO UM TEXTO, MAS PERDI TUDO POR CONTA DE VÍRUS, MAS PROMETO DENTRO DESSA SEMANA REESCREVER E PUBLICAR, MAS ENQUANTO ISSO DEGUSTEM ESSA AMOSTRA DESSE LIVRO MARAVILHOSO, QUE RECOMENDO A TODOS.
" AQUELES QUE TIVERAM A FORÇA E O AMOR PARA FICAR AO LADO DE UM PACIENTE MORIBUNDO COM O SILÊNCIO QUE VAI ALÉM DAS PALAVRAS QUE TAL MOMENTO NÃO É ASSUTADOS NEM DOLOROSO, MAS UM CESSAR EM PAZ DO FUNCIONAMENTO DO CORPO.
OBERVAR A MORTE EM PAZ DE UM SER HUMANO FAZ-NOS LEMBRAR UMA ESTRELA CADENTE. É UMA ENTRE MILHÕES DE LUZES DO CÉU IMENSO, QUE CINTILA AINDA POR UM BREVE MOMENTO PARA DESAPERECER NA NOITE SEM FIM. SER TERAPEUTA DE UM PACIENTE QUE AGONIZA É CONSCIENTIZAR-SE DA SINGULARIDADE DE CADA INDIVÍDUO NESTE OCEANO IMENSO DA HUMANIDADE. É UMA TOMADA DE CONSCIÊNCIA DE NOSSA FINITUDE, DE NOSSO LIMITADO PERÍODO DE VIDA.
POUCOS DENTRE NÓS VIVEM ALÉM DOS SETENTA ANOS; AINDA ASSIM, NESSE CURTO ESPAÇO DE TEMPO, MUITOS DE DENTRE NÓS CRIAM E VIVEM UMA BIOGRAFIA ÚNICA E NÓS MESMOS TECEMOS A TRAMA DA HISTÓRIA HUMANA."

ELISABETH KÜBLER-ROSS

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A MENINA DA TORRE


A imagem que tenho de toda minha vida, é de um enorme bosque verde e de enxergar uma enorme e perigosa floresta até onde minha vista alcançava. É de enxergar o chão bem longe, numa sacada estreita para uma queda livre muito alta. Ao meu redor, paredes de enormes pedras irregulares. Ali eu vivi, cresci, me guardei da chuva, do frio, do abandono... Um abrigo, minha proteção. Naquela torre alta, nada poderia me acontecer de ruim. Nem de bom. Eu não me protegia da solidão. Um dia eu estava na sacada estreita, quando vi pessoas sorrindo, cantarolando canções, brincando... Sons de felicidade que eu nunca tinha ouvido. Alguém passou e gritou alguma coisa que não pude ouvir. Até que ele veio mais perto e disse que achava muito estranho alguém se isolar numa torre tão alta. Passei dias pensando nisso e quando ele voltou, gritou apenas: -Desce! E eu desci! Não sei quem era ele, nem onde foi parar, afinal isso não era um conto de fadas e príncipes encantados não existem. Torres sim! Nenhuma bruxa malvada me trancou na torre nem me lançou nenhum feitiço. Era eu mesma que tinha a chave. A imagem que eu tenho da minha vida inteira, até então, era a de uma menina morando no alto de uma torre de pedra que de repente acordou e se cansou da mesmice dos dias vazios.



Na minha caminhada, encontrei uma outra torre. Uma construção bem mais nova do que a que eu morava. Lá no alto, ainda mais alto do que a minha estreita sacada, havia uma menina olhando para baixo.

Olhei bem pra menina e gritei para ela descer, porque era muito triste alguém morar sozinha no alto de uma torre tão isolada do mundo. Quando a porta da torre se abriu, eu já estava longe, mas ainda pude ver a menina, bonita, fechando a porta atrás de si.



Logo mais à frente, eu o vi. Era o jovem que tinha gritado para que eu descesse da minha torre. Ele carregava uma enorme marreta em uma das mãos. Por um momento eu fiquei com medo, mas ele se aproximou e me disse: - me ajuda?

Caminhamos por algumas horas até que percebi uma pessoa nos seguindo. Era a menina da torre que eu vi anteriormente.

Me aproximei dela e disse: - me ajuda?

Caminhamos mais algumas horas até encontrarmos uma torre enorme, mais velha que a minha e mais alta que a da menina.

Ao chegar mais perto, percebi a ajuda que aquele jovem me pedira. Marretamos a torre por sete semanas, até que tudo o que restou, foi um amontoado de pedras.

-Isso não podia mais ficar de pé. Logo apareceria um novo morador.

Estirei-me no chão descansando os músculos enquanto a menina perguntava, enxugando o suor no rosto: - Quem morava nessa torre?

-Eu mesmo! - respondeu o jovem.

Nos olhamos por um tempo e foi então que eu e a menina compreendemos.

-Vocês me ajudam?

No fim de algumas semanas, no meio de três amontoados de pedra, nos despedimos e eu cheguei até aqui, até quem eu sou.

Sei que algumas torres continuam lá, mas também que existem outras pessoas gritando a estranheza na vida das outras. Sobretudo, sei que existem aqueles que gritam: desce! Imagino que existam muitas pessoas incapazes de ouvir os gritos lá do alto de suas torres - elas são realmente muito altas. Mas eu também sei que existem as pessoas que descem e trancam para sempre a porta atrás de si.



Hoje tudo é diferente. Eu não tenho mais uma marreta, mas conheço várias outras meninas e vários jovens que moram no alto de outras torres. As construções estão bem mais modernas e as torres são bonitas, altas, feitas de concreto, tijolos, possuem várias sacadas e janelas de vidro com grades.

Lá dentro dessas sacadas, não uma, mas várias pessoas vivem isoladas. Elas se vêem, mas não se conhecem. Suas sacadas são separadas de um modo que elas não tem nenhum contato umas com as outras. Não se falam, e, sobretudo, não escutam quando alguém aqui de baixo grita: desce!

Nenhuma delas pode pegar uma marreta e reduzir a enorme torre a um amontoado de pedras.

Eu espero, sinceramente, que elas encontrem alguma outra saída.



A imagem que eu tenho da minha vida inteira, era a de ter morado no alto de uma torre de pedra e eu desejo do fundo do meu coração, que você construa imagens mais bonitas para se lembrar quando tiver a minha idade.

AUTOR: Carol Rodrigues, do blog Expresso pra Dois, link:
http://expressopradois.blogspot.com/2010/01/menina-na-torre.html

ESSE TEXTO CHAMOU MUITO MINHA ATENÇÃO POR MOSTRAR COMO POR VÁRIAS VEZES NOS ESCONDEMOS DENTRO DE TORRES, SEJAM QUAIS FOREM OU QUAIS NOMES NÓS DAMOS A ELAS, O QUE IMPORTA É O QUE ELAS REPRESENTAM: A PRISÃO, A INCAPACIDADE DO SER HUMANO EM ASSUMIR SUA CONDIÇÃO OU SITUAÇÃO, OU ATÉ MESMO A INÉRCIA OU FALTA DE CORAGEM DE SE LANÇAR COMO UM "SER NO MUNDO". UMA TORRE TORRE SIGNIFICA UM LUGAR SEGURO OU NO MÍNIMO, DE COMODIDADE, QUE PODER SER UM SENTIMENTO, UM LUGAR, UMA PESSOA OU ATÉ MESMO PODE SER VOCÊ MESMO. TODA VEZ QUE O SUJEITO DEIXA DE REIVINDICAR SEU LUGAR NO MUNDO, OU ABDICA DE SUAS VONTADES E DESEJOS ELE PODE ESTAR ENTRANDO NESSA TORRE, PRINCIPALMENTE QUANDO ELE O FAZ PARA "EVITAR UM MAL MAIOR". O QUE VEMOS NOS DIAS DE HOJE SÃO PESSOAS QUE EVITAM O CONTATO OU OS RELACIONAMENTOS PROFUNDOS E FIACM DENTRO DAS TORRES COM O OBJETIVO DE SE SALVAGUARDAR DAS ADVERSIDADES E CONSEQUÊNCIAS ADVINDAS DE ESCOLHAS QUE ELE POR VENTURA VENHA A FAZER, PESSOAS ESSAS QUE PREFEREM COLOCAR A CULPA DOS SEUS SOFRIMENTOS E QUESTÕES EM TERCEIROS, AOS INVÉS DE ASSUMIR SUA RESPONSABILIDADE E SEU PAPEL NA SUA PRÓPRIA EXISTÊNCIA.

domingo, 1 de agosto de 2010

ISMÁLIA


Quando Ismália enlouqueceu,
pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
estava longe do mar...

E como anjo pendeu
as asas para voar...
queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu,
rufaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
seu corpo desceu ao mar...

Autor: (Alphonsus de Guimarães)

sábado, 10 de julho de 2010

POÉTICA


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A MOBILIDADE SOCIAL AO ALCANCE DE TODOS


Trabalho e desejo ficcionam a mobilidade social ao alcance de todos. Contudo, contraditóriamente, `a escola destina-se a organizar, por classes, as etapas da vida do cidadão moderno. Preso a ela, conquistará vocações e potencialidades; fora dela, suas possibilidades de cidadania rapidamente envelhecem e morrem.
Classes, etapas da vida, vocações, potencialidades... Sociologia, biologia, religião, psicologia... tantos são os saberes que se debruçam sobre o homem que os trabalhadores escolares se esquecem que são, eles mesmos, também aqueles que não aprenderam o gosto pelo mourejar.
Braços, pernas, troncos, faces, mõas, pés... todos sendo hierarquicamente inferiores ao cérebro - modelo médico atual - fazem subsumir, na natureza das coisas, as desiugualdades cotidianas ativamente atualizadas como cultura ocidental moderna.
Ana Paula Jesus de Melo

sexta-feira, 11 de junho de 2010

EMPENHE O PACIENTE


Muitos de nossos pacientes têm conflitos no reino da intimidade e obtêm ajuda na terapia simplesmente por vivenciar um relacionamento íntimo com o terapeuta. Alguns têm medo da intimidade porque acreditam que existe dentro deles algo basicamente inaceitável, algo repugnante e imperdoável. Dado isso, o ato de se revelar inteiramente a um outro e ainda ser aceito pode ser o principal veículo da ajuda terapêutica. Outros podem evitar a intimidade por causa do medo da exploração, colonização ou abandono; também para eles, o relacionamento terapêutico íntimo e efetivo que não resulte nba catástrofe prevista torna-se um experiencia emocional corretiva.
Portanto, nada tem precedência sobre o cuidado e preservação do meu relacionamento com o paciente, e fico muito atento a todas a nuances de como nos respeitamos recipocramente. O paciente parace distante hoje? Competitivo? Desatento aos meus comentários? Faz uso do que digo na vida privada, mas se recusa a reconhecer minha ajuda abertamente? Seria ela excessivamente resperespeitosa? Obsequiosa? Expressa muito raramente qualquer objeção ou discordância? Indiferente ou desconfiada? Entro em seus sonhos ou devaneios? Quais são as palavras das conversas imaginárias comigo? Todas essas coisas eu quero saber, e mais. Nunca deixo passar uma hora sem conferir nosso relacionamento, às vezes com uma simples declaração como: "Como eu e você estamos hoje?" Às vezes, peço ao paciente que se projete no futuro: "Imagine daqui a meia hora - você está a camin ho de casa, olhando para trás e pensando na nossa sessão. como estará se sentindo sobre eu e você hoje? Quais serão as observações não expressas ou as perguntas não formuladas sobre o nosso relacionamento hoje?"


MAIS UM TRECHO DO LIVRO DE IRVIN YALOM, COFESSO QUE TEM ME AJUDADO MUITO NOS MEUS ATENDIMENTOS, PARECE QUE ELE FALA DIRETAMENTE COMIGO, ISSO É ÓTIMO! TEM ME DADO MUITO MAIS SEGURANÇA, POIS ME DÁ UMA MODELO QUE POSSO SEGUIR SEM PRECISAR COPIAR, MAS A SUPERVISORA TAMBÉM AJUDA, E MUITO! VALEU PROFª PRISCILA PIRES, VOCÊ É DEZ!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

HERÓIS


"Não somos super heróis
somos meros actores coadjuvantes
de uma historia universal
escrita em forma de poema
onde a diferença é feita
na única estrofe que escrevemos
e que termina quando o chão caminhar sobre nós
e o céu se esconder atrás do horizonte
momento em que só nos restará
o silêncio das nossas vozes
e a escuridão da nossa visão
que servirá de companhia eterna,
momentos sacramentados em nosso santuário
pelas insígnias a que respondemos
como autores de um verso "sem rimas por muitas vezes"
no poema da historia universal..."

Red Jack- O PsicodoidO


EU SEI QUE A PROPOSTA DESTE BLOG É TRATAR DE ASSUNTOS RELACIONADOS A PSICOLOGIA, MAS NÃO PODERIA DEIXAR DE MENCIONAR AQUI A RESPEITO DOS ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NA CIDADE DE RESENDE NO DIA 27 DE ABRIL DE 2010, ONDE DOIS VERDADEIROS HERÓIS APESAR DA MORTE EMINENTE, TIVERAM TEMPO DE PENSAR EM SEUS SEMELHANTES EVITANDO QUE OUTROS COMPARTILHASSEM COM ELES SEU DESTINO. ESSE PENSAMENTO ALTRUÍSTA FAZ DESSE HERÓICO ATO DE AMOR AO PRÓXIMO, UM ASSUNTO PSICOLÓGICO SIM, POIS TODOS NOS TEMOS NOSSOS HERÓIS, PESSOAS NAS QUAIS PROJETAMOS NOSSO DESEJO DE SER COMO ELAS, CORAJOSAS, ALTIVAS, FORTES E ASSIM SE FAZENDO INDESTRUTÍVEIS, MAS O INTERESSANTE É SABER QUE ATÉ O MOMENTO EM QUE TUDO ACONTECE, QUANDO ELES TEM QUE DECIDIR, ELES SÃO PESSOAS COMO NÓS, CHATOS, DESCONFIADOS, MELINDROSOS, ENFIM HUMANOS, MAS AQUELE PEQUENO MOMENTO, AQUELE INSTANTE ONDE A VIDA REQUER UMA DECISÃO, A CORAGEM E O ALTRUÍSMO DESSAS PESSOAS OS FAZEM HERÓIS!

MINHA HOMENAGEM AO ASPIRANTE A OFICIAL BOMBEIRO MILITAR GUILHERME NETO, COM O QUAL TIVE A HONRA E A SATISFAÇÃO DE TRABALHAR E AO MAJOR BOMBEIRO MILITAR JASEN, QUE CONHECI ALGUMAS HORAS ANTES DO ACONTECIMENTO FATÍDICO.

"Os reis deixaram aqui suas coroas e cetros; os heróis, suas armas. Mas os grandes espíritos, cuja glória estava neles e não em coisas externas, levaram com eles sua grandeza."

Schopenhauer

domingo, 11 de abril de 2010

RISCOS


Arriscar-se é viver...


Rir é arriscar-se a parecer louco.


Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.


Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.


Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.


Amar é arriscar-se a não ser amado.


Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.


Viver é arriscar-se a morrer...


Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.


Tentar é arriscar-se a falhar.


Mas... é preciso correr riscos.


Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...


Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.


Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.


Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver...


Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;


Abrem mão de sua liberdade.


Só a pessoa que se arrisca é livre...


"Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.


Não se arriscar é perder a vida..."


(Soren Kiekegaard)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Já - Charles Chaplin


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.

Já abracei para proteger,
já ri quando não podia,
fiz amigos eternos, amei e fui amada,
mas também já fui rejeitada,
fui amada e não amei.

Já gritei e saltei de felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
desiludi-me muitas vezes!

Já chorei a ouvir música e a ver fotografias,
já telefonei só para ouvir uma voz,
já me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de saudades,
já tive medo de perder alguém especial
(e perdi...)!

Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...

Bom mesmo é ir á luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CONVERSANDO SOBRE A MORTE


O medo da morte sempre se infiltra por baixo da superfície. Ele nos assombra durante toda a vida e nós erguemos defesas - muitas delas baseadas na negação - para nos ajudar a lidar com a consciência da morte. Mas não podemos mantê-la fora da mente. Ela se difunde pelas nossas fantasias e sonhos. Ela explode sem freios em cada pesadelo. Quando éramos crianças, ficávamos preocupados com a morte, e uma das nossas principais tarefas no desenvolvimento era a de conseguir enfrentar o medo da obliteração.
A morte é um visitante em todo o curso de terapia. Ignorar sua presença transmite a mensagem de que é terrivel demais para ser discutida. Ainda assim, a maioria dos terapeutas evita uma discussão direta sobre a morte. Por quê? Alguns terapeutas a evitam porque não sabem o que fazer com a morte. "Com que finalidade?", perguntam. "Vamos voltar ao processo neurótico, algo sobre o qual podemos fazer alguma coisa." Outros terapeutas questionam a relevância da morte para o processo terapêutico e seguem o conselho do grande Adolph Meyer, que aconselhou a não coçar onde não estiver coçando. Outros, ainda, se recusama trazer à baila um assunto que inspira uma enorme ansiedade num paciente já ancioso (e também no terapeuta).
Ainda assim, existem vários bons motivos pelos quais deveriámos confrontar a morte no decorrer da terapia. Primeiro, tenha sempre em mente que a terapia é uma exploração profunda e abrangente do curso e significado da vida de uma pessoa; dada a centralidade da morte em nossa existência, uma vez que vida e morte são interdependentes, como poderiámos ignorá-la? Desde os primórdios dos pensamentos escritos, os seres humanos percebem que tudo se desvanece, viver apesar do medo e do desvanecimento. Os psicoterapeutas não podem se dar ao luxo de ignorar os vários grandes pensadores que concluíram que aprender a viver bem é aprender a morrer bem.
Mais um texto do excelente livro do psiquiatra e psicoterapeuta Irvin D. Yalom, ótima leitura para terapeutas iniciantes. Em breve estarei publicando mais alguns artigos de minha autoria, cujo o tema será a questão da adoção e seus implicações psicológicas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O AQUI-E-AGORA-USE-O, USO-O


"O AQUI-E-AGORA É A PRINCIPAL FONTE DE PODER TERAPÊUTICO, A RECOMPENSA DA TERAPIA, O MELHOR AMIGO DO TERAPEUTA (E, CONSEQUENTEMENTE, DO PACIENTE). TÃO VITAL PARA UMA TERAPIA EFICIENTE É O AQUI-E-AGORA, ...
O AQUI-E-AGORA REFERE-SE AOS IMEDIATOS DA HORA TERAPÊUTICA, AO QUE ACONTECE AQUI (NESTE CONSULTÓRIO, NESTE RELACIONAMENTO, NA INTERMEDIALIDADE - O ESPAÇO ENTRE MIM E VOCÊ) E AGORA, NESTA HORA IMEDIATA. É BASICAMENTE UMA ABORDAGEM NÃO-HISTÓRICA E TIRA A ÊNFASE (MAS NÃO NEGA A IMPORTÂNCIA) DO PASSADO OU DOS EVENTOS HISTÓRICOS DA VIDA EXTERIOR DO PACIENTE."
ESTE É UM TRECHO DO LIVRO QUE ESTOU LENDO ATUALMENTE, E QUE RECOMENDO PARA TODOS QUE GOSTAM DAS ABORDAGENS GESTAÁLTICA E HUMANISTA, O LIVRO SE CHAMA: "OS DESAFIOS DA TERAPIA - REFLEXOES PARA PACIENTES E TERAPEUTAS", DO PSIQUIATRA IRVIN D. YALOM, LANÇADO NO BRASIL PELA EDITORA EDIOURO. OS DESAFIOS DA TERAPIA MOSTRA QUE O PROCESSO TERAPEUTICO É UMA PARCERIA ENTRE DOIS SERES HUMANOS QUE SE TORNAM COMPANHEIROS DA VIAGEM ÁRDUA, PORÉM GRATIFICANTE, QUE É O MERGULHO NO INTERIOR DE CADA UM, VALE A PENA LER!
(TITULO ORIGINAL: THE GIFT OF THERAPY).

domingo, 27 de dezembro de 2009

NÃO AO ATO MÉDICO, SIM A EQUIPE


O projeto de lei do Ato Médico (PL nº 7.703/2006) foi aprovado na Câmara e breve será votado no Senado. Representa um retrocesso, ao dar a 340 mil médicos a exclusividade de exercer atos privativos de 3 milhões de profissionais da saúde (biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos, técnicos em radiologia e terapeutas ocupacionais).
Em especial, ambos os projetos de lei estabelecem que caberia aos médicos o direito de realizar o diagnóstico das doenças (nosológico) e a prescrição terapêutica (tipo de tratamento).
Na página do senado está sendo realizada uma enquete a respeito do Ato Médico. Envio o link e vote CONTRA. A quantidade de votos a favor tem aumentado muito. Participem.
http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/

Há ainda uma página para enviar um email aos senadores de seu Estado solicitando que rejeitem o Projeto de Lei do Ato Médico
http://www.atomediconao.com.br/É rápido e simples. Basta digitar seu nome e e-mail.
Vamos lutar contra o corporativismo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

DIVERSIDADE NAS ORGANIZAÇÕES


Terceira idade

Como pudemos observar através da leitura do texto, o Brasil embora sendo referência mundial em termos de diversidade cultural, o campo de estudos nessa área é muito recente. Esse trabalho fala de a respeito de um estudo feito em algumas empresas, envolvendo portadores de deficiência, orientação sexual e idade do trabalhador.
Dentro deste contexto analisaremos a diversidade e as ações das empresas pesquisadas no que diz respeito à terceira idade.
A principal referência do autor são os aposentados, que enfrentam, sem duvida, uma grande restrição no mercado de trabalho. Mas duas empresas em especial se destacam na contratação dessa força de trabalho, a Intermédica e o Grupo Pão de Açúcar, com o objetivo de servir de referencia para outras empresas e para as políticas públicas de incentivo a valorização da diversidade em todos os setores.

INTERMÉDICA

Adota um principio de não discriminação, mas não é somente isto, eles estão atentos à representatividade dessas diversidades.
Para tal foi criado em 1999 um programa especial de admissão de aposentados e ao final daquele ano eles já eram 5,7% do quadro total de funcionários da empresa. Tudo parece fazer parte de uma estratégia para promover a interação de diferentes experiências com objetivo de aprimorar os serviços prestados pela empresa. E alem disso, demonstraram também uma disposição de contribuir na melhoria desse segmento.

GRUPO PÃO DE AÇÚCAR

Neste caso há uma peculiaridade, pois tudo começou por um acaso, pois um senhor que ficava na porta de das filiais ajudando as pessoas espontaneamente, mostrando-se muito interessado e agradável. Concomitantemente e sem nenhuma ligação a empresa estava criando, o Cantinho do Idoso, que era apenas um local de encontro para bate-papo.
Um gerente notou esse senhor que ajudava as pessoas por pura espontaneidade, e com a experiência do Cantinho do Idoso surgiu o programa de contratação dessas pessoas.
A princípio as famílias foram um pouco relutantes, achando que eles iriam desempenhar funções ditas de menor importância, puro egoísmo, dentro de pouco tempo uma jornada que era de 4 horas passou a ser de 6 horas, a pedidos dos próprios idosos.
O trabalho deles é alem de empacotar as compras, dar um fechamento de vendas mais agradável, para isso ganham um pouco mais que os outros empacotadores, eles tem vínculo empregatício, bem como todos os benefícios oferecidos pela empresa, além de palestras sobre a terceira idade e outras atividades culturais. E são tratados como os demais empregados, fazendo inclusive os exames admissionais e participando de todo o processo seletivo.
Hoje eles contam em quadros 210 idosos e depoimentos garantem que a presenças deles gerou uma mudança positiva no ambiente organizacional.
Eles também passaram a contratar donas de casa, com faixa etária entre 35 e 45 anos para a função de conselheira. Elas estão disponíveis para oferecer boas oportunidades de compras aos clientes, considero que esta medida é complementar a primeira.
Essa iniciativa foi tão bem recebida que eles tiveram uma lista com 197 mil candidatas, sendo que, dessas foram contratadas 150, com direito a todos os benefícios regulamentares.

ENCERRAMENTO

O que podemos notar nessas duas empresas deste estudo foi a valorização da diversidade. Isso só é possível através de parcerias estratégicas entre organizações, instituições de diferentes representações sociais e setores governamentais. Talvez ainda se faça necessário a participação de profissionais para estabelecer os vínculos lingüísticos geralmente tão específicos.

CONSIDERAÇÕES DO GRUPO

Podemos perceber, pelo estudo realizado com as pessoas da terceira idade, um avanço no diz respeito ao interesse das empresas em arrendar mais clientes para si através da contratação de funcionários dessa camada populacional. Mas juntamente com isso, elas acabam assumindo um forte compromisso social, contra o preconceito e a discriminação, e esta atitude por sua vez também atrai clientes, principalmente nos dias atuais onde a sociedade está muito atenta a esse tipo de conceito.
Porém o mais importante para nós é entender os mecanismos psicológicos envolvidos na questão da diversidade cultural, principalmente no que tange a área organizacional.
De acordo com Cox (1994) define diversidade cultural como sendo uma representação, em um sistema social de pessoas com diferentes identidades grupais que tem significações culturais distintas.
Neste aspecto parece que as duas empresas citadas estão procurando desenvolver essa diversidade através da contratação dos idosos e das donas de casa, isso mostra o interesse em diversificar sua demanda cultural. O que está implícito nessas contratações não é tão relevante quanto o gerenciamento das mesmas, que é o mais difícil.
A grande questão colocada pela diversidade cultural é como trabalhar com as regras e as normas institucionais que geram os ismos organizacionais.
Apenas pela leitura do texto não é possível detectar em qual tipo de perspectiva de gerenciamento estão focadas essas empresas.
A Intermédica, primeira empresa a ser citada, parece trabalhar com a perspectiva da aprendizagem-e-efetividade. Pois segundo dados referenciais fornecidos pela própria empresa a intenção é promover uma interação entre diferentes experiências com o objetivo de melhorar seus serviços, além de todos os benefícios que os demais funcionários dispõem.
As organizações também desenvolveram uma visão de diversidade que permite a elas incorporar as contribuições dos empregados ao trabalho da organização, repensando as tarefas primarias e redefinindo os mercados, produtos, estratégias, missões, práticas de negócios e, até mesmo, culturais.
Já na rede Pão de Açúcar parece predominar a perspectiva do Acesso-e-Legitimidade, isto porque se percebe no relato do autor que a principal intenção é proporcionar um fechamento de compras mais simpático aos seus clientes, já que as pessoas são contratadas para uma função específica (empacotador, para os idosos e de conselheira, para donas de casa) sem buscar valorizar outras possibilidades que essas pessoas possam oferecer.
...organizações de acesso-e-legitimidade tendem a enfatizar o papel das diferenças culturais na organização sem realmente analisar essas diferenças para ver se elas na verdade afetam o trabalho que está sendo feito.
..., os líderes da perspectiva do acesso-e-legitimidade são bastante rápidos em colocar seus executivos que tem capacidades de nicho de mercado em “caixas” ou categorias diferenciadas, sem tentar atender o que essas capacidades realmente são e como elas podem ser integradas no trabalho cotidiano.
Logicamente essas são suposições baseadas nos poucos elementos fornecidos pela leitura do texto. Cox (1994) sugere o modelo de compreensão da diversidade, onde ele destaca a influência do ambiente e sua interação com o indivíduo, ou seja, não basta apenas fatores organizacionais estarem definidos, mas é imprescindível o intercâmbio entre os grupos, sem o qual a diversidade não passará de um programa de inclusão social.
O gerenciamento da diversidade se refere ao planejamento e a implementação de sistemas organizacionais que fazem com que as potenciais vantagens da diversidade sejam maximizadas, enquanto que suas potenciais desvantagens são minimizadas (Cox, 1994).
Todavia como já foi dito neste trabalho, os objetivos implícitos nessas iniciativas não são tão relevantes quanto a atitude das empresas em abrir suas portas para a diversidade, seja em que grau for.
A psicologia pode contribuir, dentro deste contexto organizacional, como facilitador entre os diversos grupos que se formam dentro do ambiente de trabalho, ela seria a ponte de comunicação intergrupal.
..., o psicólogo é um especialista em tensões da relação ou comunicação humana e este é o campo especifico sobre o qual deve atuar. (Bleger, pág. 28, 1984)
Juntamente com isso deve-se analisar e tratar a própria instituição, que talvez seja seu principal “cliente”.
Deve-se examinar a instituição a partir do ponto de vista psicológico: seus objetivos, funções, meios, tarefas, etc. (Bleger, pág. 28, 1984)
Em suma o psicólogo deve atuar principalmente como um colaborador, devendo acima de tudo estar inserido no ambiente, evitando abrir um gabinete ou consultório para atender os “doentes” da instituição.
Em nenhum caso o psicólogo deve se situar como agente ou promotor da produtividade, porque esta não é sua função profissional; seu objetivo é a saúde e o bem-estar dos seres humanos, o estabelecimento ou criação de vínculos saudáveis e dignificantes. (Bleger, pág. 63, 1984)

BIBLIOGRAFIA

Bleger, José. Psico-higiene e psicologia institucional. Trad. De Emilia de Oliveira Diehl. Porto Alegre, Artes Médicas, 1984. 138p.

Zanelli, J.C. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

domingo, 6 de dezembro de 2009

REPRESENTAÇOES SOCIAIS DA DOENÇA EM UMA UNIDADE DE SAÚDE NO MUNICÍPIO DE VOLTA REDONDA


INTRODUÇÃO
O ser humano, sua saúde, sua integração e plenitude constituem o objetivo de seu trabalho profissional, aos quais não deve renunciar em nenhum caso (Bleger, 1984, pag. 43), com essa frase de José Bleger, renomado professor universitário, falando dos objetivos do trabalho do psicólogo em comunidade ou instituições; iniciamos nosso trabalho, com o intuito de tentar compreender como os indivíduos efetivamente experiênciam a questão saúde/doença, e até que ponto são influenciados pelo grupo pessoas de onde trabalham. Muito tem se falado a respeito do conceito de saúde/doença e da sua influência sobre a vida dos indivíduos de maneira geral, a mídia, especialmente a televisiva, tem bombardeado seus espectadores com propagandas e campanhas sobre saúde. Mas será que estamos no caminho certo? Pergunto-me para que tipos de público essas campanhas são feitas, pois o seu efeito pode variar muito dependendo das pessoas que as vêem, pois cada uma delas tem seu próprio conceito do que é ter saúde ou, do que é estar doente. Existem diversas definições de saúde, uma das mais populares é a noção dicotômica, que trata saúde como mera ausência de doença, mas os profissionais de saúde e das ciências humanas adotam a definição da OMS (1947): “saúde é o estado mais completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade”, é por esse conceito que vamos pautar nosso trabalho.
Mais de vinte anos depois da divulgação da Carta de Ottawa, elaborada durante a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em novembro de 1986, percebemos diversas questões ainda pendentes de realização ou de concretização, como por exemplo, o trecho abaixo transcrito, que trata sobre a capacitação da comunidade, da qual os profissionais que trabalham na área da saúde fazem parte, para obter sua autonomia de ação mediante a doença:
“Alcançar a eqüidade em saúde é um dos focos da promoção da saúde. As ações de promoção da saúde objetivam reduzir as diferenças no estado de saúde da população e assegurar oportunidades e recursos igualitários para capacitar todas as pessoas a realizar completamente seu potencial de saúde. Isto inclui uma base sólida: ambientes favoráveis, acesso à informação, a experiências e habilidades na vida, bem como oportunidades que permitam fazer escolhas por uma vida mais sadia. As pessoas não podem realizar completamente seu potencial de saúde se não forem capazes de controlar os fatores determinantes de sua saúde, o que se aplica igualmente para homens e mulheres.” (Organização Pan-Americana da Saúde, 1986, pag. 01)
Mas como podemos falar em saúde e na promoção da mesma, quando os próprios agentes promotores de saúde, dentro desse conceito incluímos para fins desse estudo as pessoas que são pagas, para efetivamente promover ações de saúde, ou seja, os profissionais dessa área, seja qual for o setor em trabalhem, por exemplo: uma pessoa que trabalhe na limpeza e higienização de uma unidade de saúde faz parte deste conceito acima referenciado, bem como as pessoas que trabalham na cozinha, enfermagem, lavanderia portaria, direção e diversas outras atividades axercidas neste local, muitas vezes não se encontram plenamente capacitados para perceber com qual tipo de pessoa está trabalhando neste ou naquele atendimento, abordando a todos da mesma maneira. E isso pode ir além desse contexto, e esse é o principal motivo dessa proposta de intervenção, esses agentes de saúde algumas vezes nem sequer podem identificar suas próprias questões, fazendo com que alguns trabalhem doentes ou aparentemente saudáveis, trazendo assim prejuízos ao andamento do serviço e conseqüências físicas e psíquicas profundas nestes indivíduos. Até que ponto as instituições de saúde tem preparado ou auxiliado seus funcionários/agentes para que possam se sentir bem e assim ajudarem na promoção da saúde dentro da comunidade que convivem? Será que eles estão conseguindo por em prática todo seu potencial de saúde? Será que possuem ambientes favoráveis no seu lugar de trabalho, por exemplo, para o desenvolvimento da sua saúde? Ou ainda, até que ponto a instituição é responsável pela capacitação dos mesmos? Como a instituição pode ajudar seus membros sobre essas questões? Eles têm a possibilidade de controlar os fatores determinantes de sua saúde, dentro do seu ambiente de trabalho?
Estas são algumas das questões que procuraremos investigar e esclarecer, bem como propor ações que venham de encontro com as principais debilidades identificadas visando assim tentar proporcionar condições melhores de trabalho, ajudando com isso ao agentes/funcionários, desenvolver sua própria saúde e ser um multiplicador em sua comunidade ou grupo que faça parte.
INÍCIO DA PESQUISA
Ao conversar com minha mãe que é funcionária da principal Unidade de Saúde (US) do SUS (Sistema Único de Saúde) no município de Volta Redonda, observei que nessa unidade de saúde ainda se continua privilegiando, uma concepção fragmentada de saúde, esquecendo-se a relevância dos aspectos sociais e psicológicos como mediadores dos processos saúde-doença, e como essa concepção parece interferir nas relações institucionais (entre os próprios funcionários, com a instituição direta e indiretamente e até mesmo com a comunidade atendida por esta entidade de saúde). Tal observação se deu ao ouvir dela diversos relatos particulares e fatos acontecidos com terceiros (colegas de trabalho), sobre como ela e outros funcionários, lidavam com os limites do seu organismo. Ela contou-me que muitas pessoas trabalham com dor, febre e até partes do corpo seriamente comprometidas (fraturadas, por exemplo), essas observações me deixaram um tanto quanto preocupado e ao mesmo tempo motivou-me a tentar entender o que acontecia naquele lugar e/ou com aquelas pessoas, que as levavam a agirem de maneira tão displicente com o próprio corpo.
Para abordar esse tema de maneira mais objetiva gostaríamos primeiramente de destacar a importante influência da cultura na elaboração dos conceitos que cerceiam nosso cotidiano e no caso do nosso trabalho o de saúde/doença, que invariavelmente está permeado subjetivamente em cada indivíduo. A antropologia define cultura da seguinte maneira: sistema simbólico; formas de pensar que conformam uma visão de mundo; valores e motivações conscientes e inconscientes; uma lente através da qual as pessoas interpretam e dão sentido ao seu mundo (Geertz, 1978). Dentro dessa afirmação, partimos do pressuposto que todas as pessoas que trabalham neta unidade de saúde estão inseridas dentro da cultura que ali existe, ou seja, elas contribuem para construção conceitos dentro deste sistema simbólico, bem como são por ele fortemente influenciados, até mesmo quando vão de encontro a ele. O professor Jorge Iriart, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, no seu trabalho publicado em 2003, ressaltou a importância da desconstrução dos conceitos disseminados a respeito do assunto, fato esse que leva as pessoas a algumas atitudes e reações que podem atrapalhar o desenvolvimento de sua saúde, como por exemplo, o próprio excesso de preocupação com a saúde ou o total descaso para com ela, tudo isso aponta para prováveis anomalias no modo de ver a questão ou de enfrentá-la da melhor maneira possível.
RESULTADOS DO TRABALHO DE CAMPO
Para ilustrar melhor a influência dessa cultura nas ações de cada indivíduo, e exemplificarmos como cada um representa de modo diferente as enfermidades, faremos uma breve narração de fatos ocorridos com uma funcionária da referida unidade de saúde, coletados durante entrevista que fizemos com a mesma em sua residência. Mulher, 63 anos de idade, mãe de duas filhas, avó de duas crianças, trabalha desde jovem, pois perdeu seus pais muito cedo, as filhas moram com ela, uma separada recentemente outra mãe solteira de dois filhos. Ela trabalha a 11 anos no hospital, onde segundo ela é amiga de todos. Mas o que mais chamou a atenção no relato desta senhora, foi acidente que ela sofreu dentro da cozinha do hospital, ela possui uma prótese de patela na perna esquerda, no dia do acidente ela escorregou em uma casca de batata e bateu com seu joelho no chão, sentido após a queda uma dor muito forte, foi então que ela passou a suspeitar que havia quebrado a prótese na queda. Mas mesmo sentindo imensa dor ela continuou a trabalhar, e trabalhou com essa dor por mais de dez dias. E só procurou o médico quando estava totalmente impossibilitada de trabalhar, tamanha era a dor que sentia.
O que pretendemos com esse relato é demonstrar como as representações de saúde e doença são totalmente diferentes uns dos outros, mas que podem ser influenciadas pelo seu ciclo relacional, tanto de maneira positiva quanto negativa, pois no caso acima descrito, para não deixar que os amigos precisassem fazer o seu trabalho, ela preferiu ficar calada do que comunicar o acontecido a seus superiores, e registrar o acidente de trabalho, mas foi também pela insistência de outros que ela procurou um médico.
Deve-se levar em consideração o fato que ela foi ao médico da instituição, que por acaso é o mesmo que a operou, e que ele disse que nada de errado havia com a mesma e que poderia voltar ao trabalho normalmente, sem pedir sequer um simples exame. Segundo a entrevistada somente os médicos da instituição podem conceder licenças para tratamento de saúde, mas que dificilmente concedem alguma, ela não sabe dizer o motivo. Será que ele agiu dessa forma por imposição daquela instituição, ou será que sua representação do conceito de saúde/doença também está comprometida? São perguntas que ficarão sem respostas diretas, pois a US não autorizou a nossa entrada para entrevistar seus funcionários, observarmos o ambiente e as interações sociais das pessoas que trabalham ali. As entrevistas encontradas neste projeto foram feitas porque conhecemos os entrevistados, todas foram feitas fora do hospital, na sua maioria na residência dos entrevistados.
Outro caso é de uma funcionária de 53 anos de idade, que trabalha nesta US há 15 anos, possui bursite crônica, sérios problemas de coluna (hérnia de disco na região lombar), artrose degenerativa (comprovada por exames) e tendinite no braço direito, a mesma relata que há vários anos vem sentindo dores, inclusive já diagnosticas pela medicina as suas causas e que inclusive já foi recomendado pelos médicos uma cirurgia para tentar amenizar os problemas da coluna. A mesma informou ainda em entrevista que nunca fez um tratamento adequado para nem uma dessas doenças, quando a dor se torna insuportável, ela procura o médico da US, que lhe passa um remédio analgésico, lhe dá alguns dias de dispensa, que não pode exceder a três dias e mais nada.
Há duas questões que nos chamaram a atenção e que gostaríamos de refletir sobre elas, a primeira questão é sobre qual é o “lugar” desse médico dentro da instituição? Não seria ele um profissional de saúde que tem como missão principal ajudar as pessoas a cuidar do seu bem estar físico? Ou seria ele um agente da instituição com a incumbência de inibir as solicitações de licenças ou até mesmo ignorá-las? Ou ainda, pelo fato de trabalhar comas pessoas que atende, há por parte dele certa resistência em conceder essas dispensas medicas, por julgar as pessoas pela sua percepção pessoal delas? A nosso ver, ao não indicar nem um tipo de tratamento a essa pessoa que se queixa de dores crônicas que vêm se arrastando ao longo de anos, o profissional aparentemente comete uma falha ou no mínimo um equívoco. O segundo ponto que é importante salientar aqui é o motivo pelo qual essas pessoas relutam tanto em se licenciar para tratar de sua saúde. Essa questão nos chamou a atenção logo assim que foi levantada, pois ao questionarmos isso às entrevistadas, descobrimos que existe uma gratificação paga trimestralmente, chamada de incentivo, para os funcionários que não tenham tirado licenças médicas superiores a quinze dias mensais dentro do período, ou seja, se você tiver uma doença em que precise de vinte dias de licença para tratamento, automaticamente você perde a gratificação, que pode variar de valor de acordo com a faixa salarial do funcionário, para muitos é uma quantia significativa da qual ele não gosta ou não pode abrir mão, talvez por isso ele continue postergando seu tratamento até não poder mais suportar as dores.

CONCLUSÃO
Respondendo as questões levantadas no início do nosso trabalho, e algumas outras que surgiram no decorrer do mesmo, percebemos que essa US, pouco tem feito pela autonomia dos seus funcionários, quando falamos em autonomia, nos referimos ao empoderamento desses funcionários sobre sua capacidade de auto regulação, no sentido de que ele possa ser capaz de identificar suas limitações físicas e/ou psíquicas, ao aparato que é necessário por parte dela para que seu funcionário possa tratar de sua doença, aparato que se estende desde da boa receptividade e imparcialidade por parte de outros funcionários, neste caso especificamente os da área médica, até a tranqüilidade e motivação por parte da administração, para que o funcionário/agente de saúde, possa fazer seu tratamento sem precisar ficar pensando por exemplo no seu orçamento que será prejudicado.
Gomes, Mendonça & Pontes, no artigo intitulado As representações sociais e a experiência da doença, publicado em 2002, dão a doença o sentido que procuramos abordar em nossa intervenção, quando dizem: Aqui empregamos doença ou enfermidade como reflexo da combinação de aspectos da experiência dos indivíduos e situações sócio-culturais. Isso, por sua vez, não significa que desconsideremos os aspectos biológicos presentes no processo do adoecer. Assim, junto a esses aspectos, buscamos desenvolver uma perspectiva interdisciplinar na abordagem da enfermidade (pag. 1212). Afirmam ainda que esse modelo é a que proporcionaria uma dialética entre os envolvidos que, segundo eles, ficariam jogando com seus saberes, nossa questão principal seria como a psicologia pode ajudar a quebrar ou ao menos amenizar esse paradigma, onde as representações sociais da doença estão sobrepostas sobre as experiências individuais, e as ações dos indivíduos envolvidos, passam por aspectos culturais e são tão fortemente influenciados pelo grupo a ponte de, em certos momentos, deixá-la em segundo plano.
A nosso ver, o primeiro passo desse processo é proporcionar a todos os membros dessa unidade de saúde a oportunidade real de expressarem suas subjetividades, criarem um laço, para que vejam no outro um ser que tem seus pontos de vista, suas opiniões, que tem uma experiência que pode, e provavelmente é diferente das suas, levando essas pessoas a um verdadeiro encontro com o outro, ou como se diria na Gestalt, um encontro eu-tu. Gomes, Mendonça & Pontes, confirmam essa observação no trecho de seu artigo, onde dizem: Assim, na medida em que se consegue ir para além das falas e das ações em geral, a articulação entre o representado e o vivido do ser doente pode ser conseguida e servir de base para políticas e ações que contemplem os sujeitos para os quais se estas destinam (pág. 1213).
O psicólogo neste sentido deve ser um articulador das relações, que vai procurar no diálogo construir ou desconstruir significados e ajudar a buscar a melhor maneira de responder as demandas de cada um. Ocampo (2006), assim descreve o psicólogo que atua junto às unidades de saúde: Esse profissional trabalha as relações de forma a promover a autodeterminação das pessoas, buscando desenvolver uma atitude de esperança na própria capacidade de resolver as situações que elas enfrentam cotidianamente (pág. 15). Bleger (1984) estabelece duas tarefas essenciais no âmbito da atuação psicológica dentro de instituições, em primeiro lugar ele afirma que a instituição deve ser investigada e tratada, o segundo nível seria o da atuação sobre grupos humanos, ele afirma que o profissional de psicologia deve atuar sobre a problemática, as tarefas e as situações de tensão coletiva, utilizando-se dos meios de comunicação ao seu dispor e toda gama de organismos e instituições já existentes dentro daquele sistema.
Em suma podemos dizer que nossa tarefa dentro do tema proposto para a intervenção é o de proporcionar uma melhor comunicação entre os agentes de saúde, incluindo as pessoas responsáveis pela administração, desconstruir pré-conceitos entres os subgrupos que se formaram dentro daquela unidade de saúde (grupo dos médicos, grupo das cozinheiras), oferecer as informações possíveis e necessárias para que o indivíduo possa construir seus próprios conceitos e que, a partir dessas construções, suas representações possam encontrar um equilíbrio e eles possam falar em nome próprio. Sabemos da dificuldade de implantação e até mesmo de aceitação dessa intervenção no âmbito institucional, prova maior foi a indiferença da referida unidade de saúde para este pesquisador, que não se deu ao menos o trabalho de responder a solicitação feita por nós, a fim de obtermos uma autorização para que pudéssemos entrevistar seus funcionários, mas segundo Bleger (1984) isto também faz parte do processo, notamos explicitamente isso quando ele nos fala sobre os objetivos da instituição e os objetivos do psicólogo:
Um serviço hospitalar solicita o assessoramento de um psicólogo, mas entorpece total e permanentemente sua atividade; o exame da situação descobre o fato de que o interesse da instituição reside basicamente em ostentar uma organização progressiva e científica frente a outros serviços hospitalares competidores, mas a atividade do psicólogo é, na realidade, temida. Estes fatos não invalidam, não impossibilitam a função do psicólogo, e sim que já são as circunstancias sobre as quais justamente se tem que agir (pag. 42).
Por isso é importantíssimo a participação e a contribuição de todos, a abertura de canais de comunicação direta entre o os membros da organização, a implementação de ambientes voltados para discussões da temática é primordial, a capacitação dos profissionais é peça chave dessa relação empoderadora, que citamos anteriormente, capacitação no sentido de que eles aprenda a ter uma visão global das relações pessosas-contexto, seja psicólogo, médico, assistente social, cozinheira para que deixem de predominar preconceitos comuns em relação a eles.
Enfim, é necessário reaprendermos nossas relações de maneira a torná-las o mais igualitárias quanto possível e proporcionar, acima de tudo, a aprendizagem e o autoconhecimento em busca do equilíbrio individual, e isso conseqüentemente refletiram de maneira coletiva e o psicólogo deve agir como facilitador dessa tarefa, para encerrarmos queremos deixar aqui a frase de Bleger (1984) que sintetiza todo nosso pensamento:
O mais importante que ocorre é que não somente podem se esclarecer e corrigir problemas e situações, mas sim que gradualmente tem lugar uma meta-aprendizagem quem consiste em que os implicados na tarefa aprendam a observar e refletir sobre os acontecimentos e a encontrar seu sentido, seus efeitos e integrações (pág. 47).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CONVIVÊNCIA


A fábula do porco-espinho.

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Sem alternativa, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim sobreviveram.

A estória já é muito conhecida mais a lição que ela nos traz é profunda:
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com a individualidade do outro, e a aquecer-se nas coisas que têm em comum.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Preconceito



Não conheço a autora do texto, mas ao ler achei muitíssimo interessante, como ela fala a respeito de uma coisa que muita gente acha que aqui no Brasil não exite, e outras fazem "vista grossa", mas o preconceito está por todos os lados, até do meu ou do seu, basta um bêbedo se aproximar, falando um pouco mais alto...
Mas vamos ao texto de Telma Reis que é muito bom:

O Aurélio diz:
1. Idéia preconcebida. 2. Suspeita, intolerânica, aversão a outras raças, credos, religiões, etc.

No sentido amplo da "execução" do preconceito, aceitar é o que não vale. E lutamos muito, todos os dias, para não agir assim em tudo na vida. Todos nós, sem excessão de ninguém agimos com aversão sobre algo ou alguém que não conhecemos, e em cima de uma suspeitazinha, transformamos aquilo em verdade, antes do tempo nos confirmar. E é visto como normal.
Preconceitos raciais, pré conceitos religiosos, suspeitas sobre presos e aversão - ainda que 'incosciente', sobre tipos físicos marcantes. Este em especial, quero me aprofundar.

A moda dita a secura como lindo e mágico; pele e osso como a beleza estratosférica mundial. Bem, gosto não se discute. Magros são bonitos quando saudáveis, assim como os gordos também. O ruim é que não é somente a moda que incita esse tipo de coisa. A TV - pra mim a campeã em espalhar preconceitos -, relata, muitas vezes, que a felicidade existe, caso você seja magro. E que gordinhos podem ser felizes, caso aceitem ser motivo de chacota e piada (pelo menos em programas de humor é assim.)

Assim como imagino que deva doer lá no fundo de uma pessoa que seja extremamente magra, ouvir que está seca, pálida, com cara de doente, imagino também que para gordos, escutar piadinhas sobre seu excesso de peso não é a melhor das brincadeiras. Assim como também para pessoas altas ou baixas demais para o padrão da sociedade, que sofrem com piadas horrorosas sobre seus tipos físicos.

Durante o tempo em que cursei fonoaudiologia, pude aprender o que é a dor do preconceito. Atendia pessoas principalmente com fissuras (palatais, labiais, etc), pessoas com reumatismo crônico, com síndrome de down, paralisia cerebral, etc. O que se vê, em grande parte de todos os casos de preconceitos, é a falta de icnentivo ao amor próprio vindo de casa. Falta. Falta muito. Mas quem ensina mesmo é a vida.
Imaginem agora como deve ser a vida de um cara sem estudo, que sustentava a família com um salário e meio, sofreu um derrame cerebral e está na cadeira de rodas, há mais de 5 anos. Engordou, ainda não desenvolveu o mínino da fala - parte que foi mais afetada pelo derrame, causando afasia -, mas pensa lucidamente e entende tudo muito bem. Anda pela rua, com sua esposa empurrando a cadeira de rodas, e a cada olhar que lhe é direcionado, o mundo lhe cai em mente, mas boca e língua não correspondem. Pensa, mas não pode falar. Não consegue sequer gesticular. Claro que o mundo tem muitas dores, e de diferentes formas e causas, e nem por isso precisamos morrer de pena por ninguém.

Pessoas gordas, quando entram em alguma loja, geralmente são recebidas com espanto pelos atendentes do local, ou parecem "modelos de circo" quando caminham em qualquer lugar. O mesmo ocorre com pessoas altas e muito baixas. O padrão da sociedade "aceita" determinada altura e aparência e tenta, a qualquer custo, eliminar o resto que seja, nessa concepção diferente.

Preconceito causa dor, muita dor. Não criar vínculo com negros por causa de sua cor é coisa altamente do Demo. Tenham em mente que somos do mesmo sangue, viemos das mesmas "forminhas". O que nos diferencia, essa magnífica etnia que reveste o planeta, são adaptações que a própria raça humana vem fazendo ao longo dos séculos.
O que mais intriga em quem comete preconceito - sim, COMETE, porque preconceito é crime! - é que nunca existem respostas suficientes para dar razão à idéia preconcebida. Aos que são alvos dos preconceituosos, resta uma dor que chega a ser indescritível. É humilhação pura, curel.

Somos mútltiplos, por isso somos tão diferentes. O preconceito é tão ridículo que sempre se define de uma única forma: não há explicação suficiente para se fazer um pré conceito de nada nem ninguém.

Preconceito dá cadeia. Mas devia mesmo existir uma punição mais elaborada, como informação do que somos. Tapar os ouvidos e fechar os olhos não nos distancia da realidade daquilo que não gostamos - ainda que não conhecemos e não queiramos conhecer -, apenas faz crescer, dentro da mente e do coração, uma imagem completamente errada e absurda da vida.

Quem tem preconceito, não pode ser considerado humano, nem bicho. Deve ser considerado apenas como um nada, que vaga pela vida, sem maiores interesses em conhecer a si mesmo.

Telma Reis
http://glica.multiply.com/journal/item/477/Preconceito

domingo, 29 de novembro de 2009

Confesso


Confesso acordei achando tudo indiferente
Verdade acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante
Quem sabe o amor tenha chegado ao final

Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
Aos poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás
Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais

Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais

Ana Carolina

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Prato de Arroz



Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado.
Ele se vira para o chinês e pergunta:
- Desculpe-me, mas o senhor acha mesmo que o seu defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim e geralmente na mesma hora que o seu vem cheirar as flores!

"Respeitar as opções do outro "em qualquer aspecto" é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem diferente e pensam diferente.
Nunca julgue. Apenas compreenda".

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

RELACIONAMENTOS


A Gestalt-terapia, baseada na Teoria de Campo de Lewin, afirma que a pessoa deve ser vista como um todo, ou seja, que seu comportamento só se torna compreensível a partir de sua visão dentro de um determinado campo com o qual ela se encontra em relação. Neste sentido esperamos poder auxiliar as pessoas partipantes de um grupo a encontrarem a melhor forma de se relacionar e transitar, no seu espaço vital, podemos dizer que espaço vital é equivalente do meio geográfico somado ao meio comportamental, diminuindo significantemente e se possível, extinguindo comportamentos que desencadeiem em ações de violência, no caso aqui violência de gênero.Não é nosso objetivo eximir as pessoas de qualquer tipo de conflito, até porque não é dado a psicologia esse poder, nem esse direito, além de que sabemos que os conflitos são fontes de ajustamentos essenciais a vida do indivíduo, e retirar isso de alguém é tolhir seu crescimento psíquico e social, como ser-no-mundo, nosso empenho é que para que através de ferramentas psicossociais e de um pouco mais de auto-conhecimento, proporcionados através das dinâmicas e intervenções feitas durante o grupo possamos ajudar o sujeito a encontrar seu melhor lugar, sua melhor forma de ser e de existir, dentro de ciclo vital de convivência e fora dele também.
Trabalhar com pessoas é sempre uma tarefa difícil, pois cada Ser é único, com suas experiências pessoais, seus pensamentos e modo de agir. Sabemos que somos livres para tomar nossas próprias decisões, mas cabe aqui ressaltar que temos nossas limitações, e para que possamos agir de maneira sensata devemos lembrar que as pessoas que estão ao nosso redor também têm seus próprios objetivos, e aceitar isso para alguns indivíduos pode ser uma árdua tarefa, pois perderam sua individualidade, ou pensam que a perderam e não conseguem se identificar, a não ser através do outro e isso é uma das causas da agressividade, segundo Lacan, que no texto “A agressividade em psicanálise”, na sua tese IV nos diz o seguinte: Do mesmo modo, é numa identificação com o outro que ela vive toda a gama de reações de impotência e ostentação, cuja ambivalência estrutural suas condutas revelam com evidencia, escravo identificado com déspota, ator com espectador, seduzido com sedutor (1948, pag. 116). Por isso é primordial auxiliar o rompimento com a dependência e vitimização das pessoas que se envolveram em caso de violência de gênero, para isso devem ser estimuladas a desenvolver sua auto-suficiência psíquica, social, intelectual, emocional e porque não, financeira.
Concluímos que o processo de humanizar-se é um processo de crescente complexidade, onde nossos elementos conceituais desembocam numa realidade concreta: o homem. Mas como terapeutas não podemos perder nunca a fé na capacidade que o homem tem de se reinventar, de se superar a cada desafio que a vida lhe apresenta, e que as vivências nos auxiliam, mas não são determinantes na formação da nossa subjetividade, que a pessoa humana pode encontrar respostas humanas para suas indagações, para sua prática de vida, para seu estar no mundo de uma maneira diferenciada das pedras, das plantas dos animais e que só ocorrerá através de uma relação paritária.